Falar de amor… (Vá se foder!)
Agosto 9,2009
Uma amiga pediu para eu falar para ela o que era o amor. Devem existir zilhares de textos sobre este assunto. Gente que amou e falou bem, gente que amou e se fod.., gente que nem sequer teve uma amostra grátis do amor.
Resolvi mudar um pouco o conceito, só para ver a merda que ia dar.
Amor, antes de tudo, é a sobra da paixão. A paixão faz a gente ficar com cara de tchongo.
Depois que a enxurrada da paixão passa, sobra a essência do amor. E o amor nada mais é do que agir com a emoção. E quando você ama, você ofusca a razão, distanciando-se da pureza de Platão.
O amor entorpece a alma.
E o amor tem validade. Não é eterno (Vinícius de Moraes que o diga), e o que sobra é amizade, respeito e intimidade. E quanto mais você conhece a sua pessoa amada, mais o seu amor – que antes era paixão – transforma-se em amizade. E amizade é um sentimento que transcende qualquer outra forma de relacionamento entre duas pessoas. Alguns cientistas até dataram a validade do amor – 7 anos. É a deadline dos coraçõezinhos e das ações e reações químicas em seu corpo.
Acredito que o amor esgota. Meu primeiro amor deixou marcas que nunca irão sarar. Meu segundo, mais marcas, só que amenas. O terceiro, marquinhas. E isso não tem nada a ver com intensidade do relacionamento. Ambos foram relativamente extasiantes.
Um amor, para ser eterno, só precisa de duas coisinhas: ser platônico, para sempre viver a paixão no imáginário perfeito e ser cultuado. Fora disso, a razão vai imperar, cedo ou tarde.
:: Ouvindo “Leve com você – Natiruts” ::
Paixão/Amor acaba?
Agosto 7,2009
Uma paixão muda para amor a partir do momento em que a vontade irresistível de se ver a cada minuto da sua vida torna-se apenas uma saudade suportável. Não que isso seja ruim, pelo contrário!
A paixão nos entorpece. O amor apenas nos faz raciocinar novamente. E como tudo nesta vida é finito, a amor se desgasta. Muita gente não admite este final de relação com facilidade. Outros negam até o fim, para tentar ludibriar o coração — ou pior — proteger-se da inevitável dor da perda de uma companhia, da cumplicidade de uma vida em comum.
Muitas vezes existe uma afinidade e harmonia tão grande que fica até difícil de saber o que realmente está acontecendo. A realidade de um momento em que a vida surge só, no singular da convivência faz com que um vácuo crepuscular domine nossa alma. A vida fica amarga por um tempo, pela ausência inevitável do gostinho de saber que, de fato, existia a sua outra metade.
E não adianta querer simplesmente apagar os resquícios da lembrança, porque estas marcas viram profundas cicatrizes. E cicatrizes são marcas visíveis que servem para alertar, lembrar dos acertos e erros que a ocasionaram.
Os finais de relacionamentos não precisam ser tristes. Podem acabar em amizades duradouras. Podem acabar em esquecimento refletido constantemente em um escudo de dor e medo. Ou simplesmente pode acabar para um, mas continuar vivo por muito tempo para o outro. E esse sim, vai trucidar o pobre coraçãozinho.
:: Ouvindo “537 C.U.B.A. - Orishas“ ::
Drummond
Outubro 5,2007
A bunda, que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.
Pra rua me levar
Setembro 28,2007
Ana Carolina & Seu Jorge – Pra Rua Me Levar
(Ana Carolina / Totonho Villeroy)
Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mãoJá sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora2x
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar vocêÉ, mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvirJá sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora2x Vou deixar a rua me levar
O porque desta música? Somente nos próximos capítulos…